terça-feira, 12 de agosto de 2014

Sobre a solidão e o tempo


A solidão e algo que aprendemos a soprar no vento
Esqucer e aquecer o peito
A solidão é junção do vazio existencial, com a memória infinita,
Indefinida
É a saudade de sentir falta
É, a solidão, o abrigo nada confortável da dor
O tempo é parado, nada canário
Que não busca seu verão

O tempo é regresso e inspiração
O tempo é chão sem pés

sugestão literária: Oliveira Silveira

domingo, 8 de setembro de 2013

e é por entre os teus braços que encontro esse significado...
magnifico ser, fluir por teu corpo, entre teus dedos.
tão lindo é poder partir, já com desejo de voltar
ao nosso abismo de intensa promiscuidade.
verdade, conheço as flores, elas declamam perfumes
e poemisam as cores.


sugestão musical: Facção Centra, Desculpa Mãe

quarta-feira, 10 de julho de 2013

tantas coisas

sim, muitas coisas, camisas, bandeiras e badernas...
tudo ao mesmo tempo do tempo que passa bem percebido.
como tem que ser, mas tão veloz, tão audaz, tanto vandalismo.

talvez eu queira que meus passos sejam leves e herméticos,
mas no meu corpo impera o desejo nítido de te ter por perto,
te quero tanto, todo, no topo, agora e ontem.

não, sem dívidas, tristeza, balelas e babaquices...
apenas a sensação silenciosa "quando passa devagar, uma brisa, leve, tranquila junto ao teu pescoço gostoso... que te faz arrepiar..."

sugestão musical: Nana Caymmi, o que é que eu faço

terça-feira, 13 de novembro de 2012

GG

Sonhei acordada com o dia do teu sorriso
Sou simplória, tenho o meu tempo
Temo não ter história, somente memórias
Espero anoitecer para enxergar a tua alma verde
Vens como se vais, mas fica e deixa a rapa
Quero te devorar, assim estarei liberta por completo





Sugestão literária: Nahuel Moreno, Teses para Atualização do Programa de Transição

terça-feira, 6 de novembro de 2012

esse amigo



É tipo um amigo,
Um amigo em que eu não quero pensar,
Nem sentir saudade.
Um amigo que eu quero distância.
Não quero o seu brilho,
Nem mesmo sua leveza de olhar.
Não quero me sentir acalentada por suas doces
                               [palavras de algodão rosa
Prefiro sucumbir seca, infernal e macabra,
A ter que sofrer por seu amor pueril, marginal
                                  [ e vadio.
O desejo tanto, esse amigo,
Que prefiro esquecê-lo em meu ventre.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

como se...

É como chorar e não estar dolorido,
É como sonhar e não estar no abismo,
É como estar leve, sem correntes.
Apenas flui na alma, apenas aguarda o silêncio.
Não bate a porta, estica-se pela fresta da janela.
Colori o dia, a língua e o pensamento.
O aroma é roxo como amora.
Tem sabor de mar,
Embebeda meus delírios.
Arde como picada de zangão
Me espia com olhos de criança.
Oferece-me o pecado orinigal/virginal.


quinta-feira, 11 de outubro de 2012

momento



Não é uma vida dupla
É a minha vida, só uma.
Podem ter diversas interpretações...
Mas nenhuma digna de aplauso.
Não sou senhora, nem controlo meu caminho.
Tenho sérias dificuldades em me manter firme,
Não gosto de exatidão, nem de perfeição.
Gostaria de ser uma pluma e poder flutuar,
E é assim que eu me sinto
Quando negligencio as minhas necessidades,
Quando faço o que não devo.
Não me sinto liberta, ao contrário,
Sei que estou presa, ao mundo vanguardista,
Às preocupações inúteis.
Sou presa na abstração e na vida momentânea.
É uma pressão pequeno-burguesa...


sugestão literária: Eduardo Galeano, Dias e Noites de Amor e de Guerra