quarta-feira, 29 de agosto de 2012

freio da língua


Cortando o freio da língua.
Engolindo as dores sanguinolentas,
Com sabor e aroma de indecisão,
Vou morrer hoje?
Serei feliz amanhã?
Terei certeza um dia?
As dúvidas e dívidas permanecem,
Enquanto isso eu finjo felicidade, eu finjo sorrisos.
Eu finjo que o tempo passou rápido
E já não existe mais passado, somente boas lembranças.
Tão boas que parecem uma sinfonia:
Os lamentos cantam, a tristeza dança
E o coração toca tambor, tamborim, atabaque e agogô.

sugestão musica: Orquestra Rumpilezz

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

apenas saudade

eu apenas sei escrever sobre saudade...
Existe uma árvore no meu quintal.
Toda vez que eu sofro ela está florida com as flores mais bonitas.
Causa um contraste: as minhas lágrimas mais espessas, a vontade de estar num pântano e o medo de ver o sol, com as pétalas rosas, o namoro dos pássaros e a renovação da vida.
No meu quintal, as flores lembram saudades;
No meu quintal, a paisagem é pesada de sonhos;
No meu quintal, a luz do dia lembra-me ele, e a promessa silenciosa de não mais dedicar-lhe palavras. Mas eu estou escrevendo sobre o meu quintal.
E hoje, o cachorro não late, e hoje, é um dia de verão no meio do inverno.
E hoje, amanheceu do jeito que ele gosta, e hoje, eu vou adormecer eternamente... Não há como despertar amanhã, não com esse quintal, não com essas flores!
 
 

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quixote Andante

Em dias nublados o Sol ainda existe.
Em dias de chuva, almas tomam banho de vida,
Os corpos, de lama.
Em dias nus, visto as cores das violetas
E canto para borboletas a imagem do teu caminho.

Andas, Quixote! Procuras os Moinhos movidos por meus suspiros.

  

Sugestão cinematográfica: http://www.youtube.com/playlist?list=PL9CBB5A6C86BEA452

 

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

cabe no meu peito


A felicidade cabe num papelzinho?
Não, nunca coube!
Anos atrás tentávamos em pergaminho.
Nunca coube.
Tentei na clorofila das folhas das árvores...
Não deu.
Peguei sua semente e tentei plantá-la.
Não deu também.
No desespero,
Lavei-a com água fria para encolher.
Não funcionou
Cachaça, fi-la beber.
Embriagou-se de prazer e,
Mesmo assim, não consegui contorcê-la
Para entrar em células.
Ela precisa de peito,
De espaços grandes.
Gosta de descansar no caule de girassóis,
Gosta de emanar por solos de trompete.
Exercita-se na Lagoa dos Patos,
Dorme na king size do meu amor,
E quando eu vou lá, na cama dele,
Ela se deposita no meu olhar
E puxa os cantos da minha boca até as orelhas.

sugestão musical: Ed Motta, Colombina