Sonhei acordada com o dia do teu sorriso
Sou simplória, tenho o meu tempo
Temo não ter história, somente memórias
Espero anoitecer para enxergar a tua alma verde
Vens como se vais, mas fica e deixa a rapa
Quero te devorar, assim estarei liberta por completo
Sugestão literária: Nahuel Moreno, Teses para Atualização do Programa de Transição
terça-feira, 13 de novembro de 2012
terça-feira, 6 de novembro de 2012
esse amigo
É tipo um amigo,
Um amigo em que eu não quero pensar,
Nem sentir saudade.
Um amigo que eu quero distância.
Não quero o seu brilho,
Nem mesmo sua leveza de olhar.
Não quero me sentir acalentada por suas doces
[palavras
de algodão rosa
Prefiro sucumbir seca, infernal e macabra,
A ter que sofrer por seu amor pueril, marginal
[
e vadio.
O desejo tanto, esse amigo,
Que prefiro esquecê-lo em meu ventre.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
como se...
É como chorar e não estar dolorido,
É como sonhar e não estar no abismo,
É como estar leve, sem correntes.
Apenas flui na alma, apenas aguarda o silêncio.
Não bate a porta, estica-se pela fresta da janela.
Colori o dia, a língua e o pensamento.
O aroma é roxo como amora.
Tem sabor de mar,
Embebeda meus delírios.
Arde como picada de zangão
Me espia com olhos de criança.
Oferece-me o pecado orinigal/virginal.
É como sonhar e não estar no abismo,
É como estar leve, sem correntes.
Apenas flui na alma, apenas aguarda o silêncio.
Não bate a porta, estica-se pela fresta da janela.
Colori o dia, a língua e o pensamento.
O aroma é roxo como amora.
Tem sabor de mar,
Embebeda meus delírios.
Arde como picada de zangão
Me espia com olhos de criança.
Oferece-me o pecado orinigal/virginal.
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
momento
Não é uma vida dupla
É a minha vida, só uma.
Podem ter diversas interpretações...
Mas nenhuma digna de aplauso.
Não sou senhora, nem controlo meu caminho.
Tenho sérias dificuldades em me manter firme,
Não gosto de exatidão, nem de perfeição.
Gostaria de ser uma pluma e poder flutuar,
E é assim que eu me sinto
Quando negligencio as minhas necessidades,
Quando faço o que não devo.
Não me sinto liberta, ao contrário,
Sei que estou presa, ao mundo vanguardista,
Às preocupações inúteis.
Sou presa na abstração e na vida momentânea.
É uma pressão pequeno-burguesa...
sugestão literária: Eduardo Galeano, Dias e Noites de Amor e de Guerra
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
alegrias operárias
Estou mais preta do que nunca.
Finalmente compreendi a minha razão:
Lutar, guerrear, brigar!
Sou negra, represento a resistência de vários povos,
Subjulgados por suas peles e cabelos;
Por seus ritos e suas fés.
Não me curvo ante sua bíblia,
Repudio sua palavra.
Se ontem lutei contra as correntes físicas,
Hoje combato as correntes mentais,
Tão pesadas quanto a escuridão das senzalas.
Minha mãe, não serei serva, serei rainha de meu desatino.
Caminharei por terras secas,
As levarei os ventos primaveris da Síria,
Fertilizarei os solos com o sangue palestino.
Daí brotará um admirável novo mundo,
Com a verdadeira pax, com arroz e feijão nas mesas,
De poucas necessidades, de muitas alegrias operárias.
sugestão musical: Criolo, Vem comigo
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Não é estranho?
Não consigo mais escrever.
Não algo natural, fluido.
Não algo unilateral, um solo.
Escrevo a imagem de uma alma perdida,
Há um labirinto, porém não há chão.
São conexões, novelos de lã.
São memórias.
E uma dor simbiótica.
Não te vejo mais e
Cada dia tua voz está mais alta em meus ouvidos.
Não é estranho?
Teu caos ainda me acalma.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Mais uma de abando, solidão, tristeza, confusão, saudade, dor de cotovelo, vícios... E o que isso tem a ver com estar amando.
Ontem eu acordei miséria:
Cheirava a fumaça de cigarro barato.
Anteontem adormeci escravidão:
Tinha os pés descalços e sujos de areia de outros caminhos.
Agora eu estou Ice Berg:
Apenas transparece o essencial de mim (será?).
Dormirei rivotril:
Para insônia.
sugestão literária: Kafka, A metamorfose
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