sexta-feira, 29 de junho de 2012

meu pai


E o pior é que eu sou igual a ele...
Sumo, desapareço, desatino
Não olho para trás, não olho para ninguém
Ando só, sofro só, só me sinto só
Conheço as dores, mas evito-as
Prefiro correr e me esconder
Distante, em outra terra, em outro mar
Não tenho chão, não tenho caminho
Sigo pelos labirintos sem mapa
Com a bússola e o coração quebrados

sugestão musical: Patrice, ain't got no

domingo, 24 de junho de 2012

poema nu

O corpo é bonito demais para ser tapado
Um biquinho de seio arrepiado, não há nada mais lindo
Dá um prazer, além de sexual, é um prazer animal
Primitivo, não só pelo corpo, mas pela liberdade
Pela alegria dos meus seios, em dias que não uso sutiã
E quando estou sem calcinha, posso sentir nas coxas
O calor e a umidade da minha buceta
É delicioso, se conhecer, se tocar
Gozar de um gozo solitário, somente eu
Meus joelhos, minhas orelhas, minha língua
As roupas são padres, castradoras
Retiram a minha malícia
Mas que fique bem escuro,
Adoro fazer streep tease ao som de jazz
Para um homem, uma mulher, ou um espelho
Sensualizar no rebolado, sorrir e piscar
Adoro a nudez
E o quanto eu me sinto segura sem sacerdotes



sugestão musical: Love Joys, long lost lover

sexta-feira, 22 de junho de 2012

cigarette


Qualé a tua, hein Negrinha?
Sofrendo, se moendo, remendando
Ideias e ideais sem sentido
Num palco escuro, onde apenas aparecem
O brilho dos teus olhos e o rancor da tua alma
Que que deu agora?
É mais uma das tuas tristezas passageiras?
Ou são as alegrias que são ligeiras demais?
Um furo
És mais uma pessoa a sofrer, só mais uma
Grande merda
Uma vontade de gritar
Chega a doer a região da cartilagem tireoidea
Uma pressão, forte na cabeça, fraca no punho
O gosto do cigarro, o cinza do céu, a dor nos olhos
A flor vermelha na cabeça da moça
A única cor do dia, a coisa morta
Mais viva que tu, Negrinha


sugestão cinematográfica: A Onda

terça-feira, 19 de junho de 2012

Nesse clima subtropical, com estações bem definidas.

Eu descobri que sou exatamente assim: carrego no peito o calor ardente do sol nos sentimentos envolvente, tropicalientes. No olhar transmito a atmosfera fria das manhã de agosto, na demora para levantar da cama, calafrios.
Tornei-me policlimática, estava acostumada a somente amar, sentia prazer no amor, somente. Ou quando com raiva, adorava ser mesquinha e cruel...
Em uma noite de chuva insistente eu me descobri; enovelada em teus braços, meu cabelo indomável entre teu queixo e teu nariz... Me descobri confusa, com medo, com frio, amando. Eu tinha tudo dentro de mim, todas as virtudes do universo, todos os receios de uma pequena larva.
Agora eu estou aqui (vivendo esse momento lindo...), te amo, mas tenho medo da tua distância, raiva da tua demora, alegria pela tua liberdade, empatia pelos teus gostos. Não existem palavras, sentimentos, sensações... Penso que não seríamos tão simplistas e limitados a ponto de achar que tudo é cientificamente explicável, que toda matéria é átomo e que todo morto está no céu.

Sugestão musical: Dave Hamilton

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Luz INCAndescente


Toda vez que leio uma poesia
Eu penso que meu cérebro pode mais,
Meu ser pode ser mais complexo e complicado
Ao mesmo tempo, minha mente tende a ser simplória:
Prefere os solos agudos a vozes roucas de tabaco.
Minha pele se permite arrepiar do frio e do calor,
Do vapor e da chuva
Meu corpo estremece e flutua ao som do Blues,
Ao som da luz incandescente do poste..
Toda vez que leio uma poesia
Respiro com euforia, pois sei
Que a genialidade está além das palavras prosadas e meticulosas,
Está no sentimento de que são
E de que fazem sentir...
São mesmo diferentes, depende de cada um.

Sugestão musical: Miles Davis, All Blues

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Rastaman


Essa noite eu sonhei com um Rastaman.

Ele trazia consigo um cajado dourado e um livro com capa de couro aberto, ele possuía toda a sabedoria do universo, tinha os olhos negros vivos, límpidos.

Viera do futuro nos dizer, nos dizer que tínhamos o poder em nossas mãos, de modificar. Passado, um dia foi presente. Presente será passado um dia. Temos que assumir nossas responsabilidades, somos os causadores dos males, somos a peste que mata nossos irmãos e irmãs, somos um universo sem sol.

Somos humanos desumanizados, sem palavra, sem intelecto, sem compaixão... Nossos filhos serão fruto do ódio e do dinheiro, serão espectros que nos matarão se não os dermos nosso sangue, serão bebês inocentes que chorarão noites e dias pedindo, em vão, por comida e AMOR.

O Rastaman me disse que será meu neto, que eu morrerei sem conhecê-lo, disse que minha alma estará liberta quando chegar a hora, que hoje, eu ainda teria que viver, trabalhar e correr, surtar e chorar. Mas no futuro, todo o esforço será visível e não terá sido em vão.

A Revolução Socialista triunfará! Porém o longo caminho até a sociedade ideal terá turbulências, guerras e raiva. Individualistas se esquecerão do indivíduo ao lado, pensará em si, em salvar suas riquezas, seu ouro, prata e diamante. Tentarão comprar os oceanos, as ilhas, os terremotos e tsunamis. Os dominadores tentarão nos matar com gripes, hepatites e câncer, mas nós resistiremos!

No final do sonho o Rastaman disse: “Olhem para a mãe, está em chamas, ela clama por nosso nome, em teu nome. Em nome dos filhos que a fazem sofrer, que a fazem sucumbir”.

Acordei, chorei.


Sugestão musical: Steel Pulse, back to my roots

terça-feira, 5 de junho de 2012

vem, sê meu


Hoje é o dia de ficar quieta, de me resguardar no vácuo.
Inverno dos inferno'
Um frio, um sono, uma necessidade
Te espero na garoa, na esquina da Oswaldo
Mato meu tempo te ouvindo cantar a música que eu escuto
Lembro do teu jeito, do sons graves e agudos
Penso nos olhos que quase somem de tão pequenos e a boca tão aberta que encosta nas têmporas.
Volta verão
Trás o calor, a ceva gelada, as regatas
Nosso abraço quente evidenciando o desejo que arde na pele
Canelas de fora que se tocam embaixo da mesa, cada parte do corpo é uma chama...
Faz um chamado à cama: vem, sê meu.


sugestão musical: Love Joys, stranger get up

segunda-feira, 4 de junho de 2012

história linear

Estou desanimada hoje, meio cansada até para escrever...
Gostaria de manda todos à rua caminhar, colher gardênias, ou sei lá
Não quero me divertir, quero ficar recolhida, sentindo nas minhas costas o peso das amarguras do mundo.
Quero ficar deitada, lendo livros que me façam esquecer, quero ouvi-lo tocar seu violão.
Quero vasculhar o meu cérebro com assuntos interessantes para contar, e não parecer muito infantil com as minhas opiniões ensaiadas mentalmente.
Cada momento longe é como uma preparação para o próximo, perto.
Eu te amo, sabe. O problema é que as vezes eu me desanimo, quando eu me dou por conta que só tenho alguns momentos contigo...
Sim, eu desejo uma eternidade! Ou que nasçamos na mesma tribo daqui a alguns anos atrás.

Sugestão musical: Dezarie, Slew Dem an Done