Essa
noite eu sonhei com um Rastaman.
Ele
trazia consigo um cajado dourado e um livro com capa de couro aberto, ele
possuía toda a sabedoria do universo, tinha os olhos negros vivos, límpidos.
Viera do
futuro nos dizer, nos dizer que tínhamos o poder em nossas mãos, de modificar.
Passado, um dia foi presente. Presente será passado um dia. Temos que assumir
nossas responsabilidades, somos os causadores dos males, somos a peste que mata
nossos irmãos e irmãs, somos um universo sem sol.
Somos
humanos desumanizados, sem palavra, sem intelecto, sem compaixão... Nossos
filhos serão fruto do ódio e do dinheiro, serão espectros que nos matarão se
não os dermos nosso sangue, serão bebês inocentes que chorarão noites e dias
pedindo, em vão, por comida e AMOR.
O Rastaman
me disse que será meu neto, que eu morrerei sem conhecê-lo, disse que minha alma
estará liberta quando chegar a hora, que hoje, eu ainda teria que viver,
trabalhar e correr, surtar e chorar. Mas no futuro, todo o esforço será visível
e não terá sido em vão.
A
Revolução Socialista triunfará! Porém o longo caminho até a sociedade ideal
terá turbulências, guerras e raiva. Individualistas se esquecerão do indivíduo
ao lado, pensará em si, em salvar suas riquezas, seu ouro, prata e diamante.
Tentarão comprar os oceanos, as ilhas, os terremotos e tsunamis. Os dominadores
tentarão nos matar com gripes, hepatites e câncer, mas nós resistiremos!
No final
do sonho o Rastaman disse: “Olhem para a mãe, está em chamas, ela clama por
nosso nome, em teu nome. Em nome dos filhos que a fazem sofrer, que a fazem
sucumbir”.
Acordei,
chorei.
Sugestão musical: Steel Pulse, back to my roots