Um texto que exprime toda as ideias e emoções que tem movido os meus pensamentos atualmente. Essa "libertação" tem sido muito importante para eu me localizar no mundo, mas sem ferir meus desejos....
Quando percebi que eu não cabia mais dentro de mim,
eu me despi. Tirei todos os santos, demônios, batinas e tridentes. Tirei toda a
benção, toda a maldição. Tirei a ideia de morar no céu e temer o inferno. Coloquei
meus pés na terra fofa, é aqui que eu vivo. Entendi com o que devo sonhar,
descobri o que devo temer algo concreto e não uma ideia pessimista de um
fanático religioso, virgem ainda por cima!
Abri meu corpo para o prazer carnal, libertei minha
mente com o prazer alucinógeno. Passei a lamber jasmins e cheirar maçãs, cassei
agentes penitenciários e libertei borboletas. Tive ideias tão evoluídas que não
fui ouvida, tive ideias tão emocionantes que não fui seguida. Tive um contra
tempo com as leis, com a moral e com os bons costumes.
Pude ser Monalisa, pude ser Chica da Silva, pude ser
Trotsky, sou Sepe Tiaraju. Não posso ser nunca, o opressor. Para Latuff sou
Angela Davis, para o Franco sou a Nega Árvore, para meus pais sou um problema.
Estou determinada a ter ideia fixas descartáveis,
tal como casca de banana que é fixa até o momento em que a descascamos e
jogamos fora.
Passei a me apaixonar todos os dias por pessoas diferentes, passei a amar enlouquecidamente a ideia de amar. Passe
a sentir falta do futuro, esqueci a cronologia do passado, vivo o presente com
o entusiasmo de uma recém-nascida.
Acordei para cuspir, mijar, peidar, cagar e gozar
(gozar muito), sou humana, não mulher.
Sugestão artística: http://www.rogeriofernandes.com.br/novo/