É como chorar e não estar dolorido,
É como sonhar e não estar no abismo,
É como estar leve, sem correntes.
Apenas flui na alma, apenas aguarda o silêncio.
Não bate a porta, estica-se pela fresta da janela.
Colori o dia, a língua e o pensamento.
O aroma é roxo como amora.
Tem sabor de mar,
Embebeda meus delírios.
Arde como picada de zangão
Me espia com olhos de criança.
Oferece-me o pecado orinigal/virginal.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
momento
Não é uma vida dupla
É a minha vida, só uma.
Podem ter diversas interpretações...
Mas nenhuma digna de aplauso.
Não sou senhora, nem controlo meu caminho.
Tenho sérias dificuldades em me manter firme,
Não gosto de exatidão, nem de perfeição.
Gostaria de ser uma pluma e poder flutuar,
E é assim que eu me sinto
Quando negligencio as minhas necessidades,
Quando faço o que não devo.
Não me sinto liberta, ao contrário,
Sei que estou presa, ao mundo vanguardista,
Às preocupações inúteis.
Sou presa na abstração e na vida momentânea.
É uma pressão pequeno-burguesa...
sugestão literária: Eduardo Galeano, Dias e Noites de Amor e de Guerra
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
alegrias operárias
Estou mais preta do que nunca.
Finalmente compreendi a minha razão:
Lutar, guerrear, brigar!
Sou negra, represento a resistência de vários povos,
Subjulgados por suas peles e cabelos;
Por seus ritos e suas fés.
Não me curvo ante sua bíblia,
Repudio sua palavra.
Se ontem lutei contra as correntes físicas,
Hoje combato as correntes mentais,
Tão pesadas quanto a escuridão das senzalas.
Minha mãe, não serei serva, serei rainha de meu desatino.
Caminharei por terras secas,
As levarei os ventos primaveris da Síria,
Fertilizarei os solos com o sangue palestino.
Daí brotará um admirável novo mundo,
Com a verdadeira pax, com arroz e feijão nas mesas,
De poucas necessidades, de muitas alegrias operárias.
sugestão musical: Criolo, Vem comigo
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