terça-feira, 3 de julho de 2012

quando eu sinto orgasmo


Eu não me sinto no céu, em completo devaneio, nem voo alucinada entre a via láctea e o resto do Universo. Eu não me sinto uma mulher completa, que se conhece, e sabe chegar lá (na via láctea). Eu não me sinto uma cortesã, com olhar de fogo, lábios doces e mãos carinhosas. Eu não me sinto em sintonia com o impossível, nem perto de Deus (isso é impossível), nem que talvez eu seja sortuda. Eu não penso que o prazer é puramente carnal, um órgão completando o outro, dançando um maxixe alucinado, ao som de suspiros, gemidos agudos, palavras impronunciáveis, olhos revirados, bocas tortas, pedidos esquizofrênicos, taras doentias... Não...
O meu orgasmo... É uma passagem de volta para a infância: das brincadeiras na rua da vó, do gosto das balas azedinhas, do tempo que era infinito, da alegria de viver – sem saber que está vivo-, dos sonhos em morder a lua, das bonecas penteadas, das brigas com a mana mais velha, da dança das cadeiras, dos doces de aniversários, de rir, de abraçar alguém por que se quer abraçar, de fazer manha para sair da cama no inverno, de fingir dor de cabeça para não ir a aula, assistir Lagoa Azul, de achar que três da manhã é tarde a beça, de invejar os lápis de cor da coleguinha, de borrar todo o batom vermelho no rosto, de desejar ser grande para ter liberdade (inocência), de desejar nunca crescer para não ser chata (coerência), de apostar corrida com o primo mais velho e ganhar, essa é a melhor coisa do mundo!! De ir para a casa da vó e comer muito bolo com Nescau quentinho adoçado com mel ... Acordar todos os dias com um gosto doce de aventura, de descoberta. Das tristezas infantis (quebraram minha boneca, pisaram no meu tênis, me chamaram de gorda...). É como viver tudo isso, sentir cada momento novamente, sorrir, chorar, dançar como criança; acordar de um transe, após uma transa, como adulta. É triste, mas é viciante.
Puta que o pariu, velho... Alguém por favor transa comigo hoje!

sugestão musical: Patrice, you always you

Um comentário:

  1. Infindo é o infinito
    Triste é o conflito
    Batom vermelho é o bonito
    Viciante é esquisito...

    ResponderExcluir