quinta-feira, 2 de agosto de 2012

cabe no meu peito


A felicidade cabe num papelzinho?
Não, nunca coube!
Anos atrás tentávamos em pergaminho.
Nunca coube.
Tentei na clorofila das folhas das árvores...
Não deu.
Peguei sua semente e tentei plantá-la.
Não deu também.
No desespero,
Lavei-a com água fria para encolher.
Não funcionou
Cachaça, fi-la beber.
Embriagou-se de prazer e,
Mesmo assim, não consegui contorcê-la
Para entrar em células.
Ela precisa de peito,
De espaços grandes.
Gosta de descansar no caule de girassóis,
Gosta de emanar por solos de trompete.
Exercita-se na Lagoa dos Patos,
Dorme na king size do meu amor,
E quando eu vou lá, na cama dele,
Ela se deposita no meu olhar
E puxa os cantos da minha boca até as orelhas.

sugestão musical: Ed Motta, Colombina

Um comentário:

  1. Cabe no meu jeito aquele sujeito bem feito.
    Cabe no meu peito com todo o efeito do futuro mais que perfeito.

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